O cenário das Eleições 2026 no Espírito Santo
Recentemente, o ambiente político do Espírito Santo se tornou bastante dinâmico, especialmente com a aproximação das Eleições 2026. No último final de semana, um encontro regional aconteceu em Cachoeiro do Itapemirim, reunindo os partidos que fazem parte da base progressista do estado. As siglas PT, PCdoB, PV, PSOL e Rede Sustentabilidade uniram forças sob o nome de “Time de Lula”. Durante o evento, foi emitido um manifesto que defende a construção de uma chapa puramente ideológica para o governo, sendo esta composta pelo deputado federal Helder Salomão (PT) como candidato a governador e pelo senador Fabiano Contarato (PT) buscando a reeleição.
A estratégia de unidade da esquerda capixaba
Essa iniciativa tem como objetivo fundamental reafirmar a estratégia da esquerda capixaba em promover uma unidade orgânica, ao mesmo tempo em que evita dar espaço para figuras que não pertencem ao núcleo progressista tradicional, como o ex-governador Renato Casagrande (PSB), o governador Ricardo Ferraço (MDB) e o ex-prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos).
Divisões internas no PT-ES durante o ato
Apesar da intenção declarada de unir forças, os bastidores do evento em Cachoeiro do Itapemirim revelaram um certo desconforto interno especialmente dentro do PT-ES. Gerando tensões, a cúpula nacional e estadual do partido parece manter a defesa de uma aliança tradicional para o Senado, que incluiria tanto Contarato quanto Casagrande. Em contrapartida, a militância e os partidos mais à esquerda, como o PSOL, sustentam a proposta do “segundo voto” para o Professor Fabian (PSOL), o que levou ao surgimento da chapa informalmente nomeada de “Fa-Fa” (Fabiano e Fabian).

A fala incisiva de Camila Valadão
A deputada estadual Camila Valadão (PSOL) expressou sua inquietação sobre o futuro político, alertando sobre as ameaças associadas ao governador Casagrande em seu discurso. Seu posicionamento foi firme, afirmando que o atual governador poderia trair os interesses do governo federal se eleito para o Senado.
“Nós não podemos ter dúvida que Lula não pode ter senador que vai titubear. Lula tem que ter senador que seja fiel aos interesses do povo e que não, ao chegar lá, possa trair pautado nos interesses, muitas vezes colocados no Senado”.
Essa afirmação ecoou entre os presentes e enfatizou a necessidade de fidelidade política dentro do contexto em que o governo federal se encontra.
A proposta de chapa purista para o governo
As ideias da unidade ideológica e a formação de uma chapa purista ficaram muito evidentes nos discursos proferidos durante o evento. Helder Salomão e Fabiano Contarato, por sua vez, também reforçaram a importância da manutenção do PT no governo federal, afirmando que o sucesso em conquistar o Palácio Anchieta com uma chapa exclusivamente de esquerda depende de uma mobilização intensa e unificada. A proposta claramente aponta para um 2026 onde não haja concessões ou alianças com partidos que representem a centro-direita.
Os desafios da esquerda frente às figuras centristas
Camila Valadão também levou sua voz e posicionamento ao criticar não apenas Casagrande, mas outros pré-candidatos de centro e de direita, incluindo Ricardo Ferraço e Lorenzo Pazolini. Durante seu discurso, ela argumentou que ambos os lados não possuem diferenças significativas, o que só reforça a necessidade de uma candidatura que realmente represente os interesses da classe trabalhadora.
“Do lado de lá não há diferenças fundamentais entre eles. Um foi o relator da Reforma Trabalhista, que retirou o direito de trabalhadores [Ferraço]. O outro foi autor da reforma da Previdência que fez um roubo na aposentadoria dos servidores e aposentados da cidade de Vitória [Pazolini]”.
Essas observações demonstram um claro desejo de galvanizar apoio contra os adversários políticos, enquanto expõem reivindicações sociais que têm sido negligenciadas.
Os bastidores do ato de pré-campanha em Cachoeiro
O evento em Cachoeiro também revelou a articulação interna dos partidos progressistas, que buscam se fortalecer para as eleições que se aproximam. O incômodo visível na postura do presidente estadual do PT-ES, João Coser, durante as menções ao nome do Professor Fabian, sugere que há um caldo de âmago político fervendo, mesmo que a cúpula do partido tenha tentado promover uma narrativa de coesão.
A importância da fidelidade política em tempos de crise
Num contexto onde as alianças políticas podem influenciar profundamente o futuro eleitoral, a fidelidade e lealdade às propostas originais do partido emergem como questões centrais entre os grupos progressistas. Os discursos que se destacaram enfatizaram a busca por um posicionamento firme que não se curve à pressão de alianças que possam comprometer os valores defendidos por partidos como o PT e o PSOL.
O papel de Helder Salomão e Fabiano Contarato
Helder Salomão e Fabiano Contarato, ambos figuras centrais no movimento progressista capixaba, possuem a missão de articular a unidade e conduzir a luta política em um ambiente adverso. Sua chegada à frente dos discursos foi entendida como uma sinalização clara do compromisso com as pautas trabalhistas e sociais que estão arraigadas nas promessas da esquerda brasileira.
Reflexões sobre o futuro da esquerda capixaba
Por fim, a reunião em Cachoeiro do Itapemirim representa um marco importante para a esquerda no Espírito Santo em meio a um cenário eleitoral desafiador. A determinação de não abrir mão de uma plataforma purista e de não ceder espaço a candidatos que não alinhem com os princípios progressistas mostra uma mudança significativa na estrategia política local. Este é um momento decisivo que poderá definir a trajetória política da esquerda no estado, refletindo as expectativas, preocupações e esperanças da base popular.
Escetativas foram claramente expressas e é evidente que a militância está centrada na busca de um espaço que reflita fiéis compromissos com a justiça social, direitos trabalhistas e políticas que priorizem as camadas mais necessitadas da população capixaba.


