Luz elétrica em Cachoeiro chegou antes de Vitória

A luz elétrica em Cachoeiro de Itapemirim foi inaugurada oficialmente em 1º de novembro de 1903, antes de chegar a Vitória. O marco fez do município a primeira cidade do Espírito Santo a receber iluminação elétrica, segundo os registros históricos citados na referência.

Antes da eletricidade, as ruas eram iluminadas por lampiões, e o serviço municipal havia sido instalado em 1887. A substituição desse sistema ocorreu quando Cachoeiro era um dos principais centros urbanos capixabas.

A mudança envolveu a administração municipal de Bernardo Horta de Araújo e uma usina construída na Ilha da Luz, no rio Itapemirim. O jornal O Estado do Espírito-Santo publicou relatos sobre a inauguração e as comemorações realizadas na cidade em novembro de 1903.

luz elétrica em Cachoeiro

A história reúne a implantação de uma nova estrutura de energia, a festa pública e o pioneirismo de Cachoeiro em relação à capital. Os registros também ajudam a situar a transformação tecnológica no desenvolvimento urbano do Espírito Santo no início do século XX.

Dos lampiões à usina hidrelétrica na Ilha da Luz

O serviço municipal de iluminação instalado em 1887 contava com 24 lampiões belgas, abastecidos por querosene e óleos de origem animal ou vegetal. Com a manutenção precária ao longo do tempo, as ruas de Cachoeiro frequentemente ficavam às escuras.

Em 2 de fevereiro de 1903, o governo municipal contratou o engenheiro civil Antônio Gonçalves Neves para explorar a iluminação pública e distribuir energia elétrica. Antes desse acordo, os engenheiros Florentino Avidos e Gonçalves Neves já haviam realizado trabalhos preliminares durante a vigência de um contrato anterior.

A usina que viabilizou a luz elétrica em Cachoeiro foi instalada na Ilha da Luz, no rio Itapemirim. Uma descrição técnica publicada na imprensa da época situava a ilha a cerca de 2.500 metros do centro e informava que ela tinha aproximadamente cinco hectares; o projeto aproveitava o desnível natural da água para movimentar as turbinas.



A obra incluiu uma represa, canais de condução da água, pontes e estruturas para controlar o fluxo do rio. Na casa de máquinas, uma turbina de eixo vertical era ligada a um dínamo alternador, com equipamentos elétricos fornecidos pela empresa alemã Siemens & Halske.

A inauguração da iluminação elétrica e a festa nas ruas

A cerimônia pública ocorreu na Praça Matosinhos, hoje chamada Praça Jerônimo Monteiro, e também marcou a inauguração do edifício do governo municipal. A programação incluiu ornamentação de ruas e praças, coretos iluminados e apresentações musicais.

Em uma matéria publicada em 15 de novembro de 1903, o jornal O Estado do Espírito-Santo elogiou a organização dos festejos. O relato mencionou a decoração da Praça Matosinhos e da Rua 25 de Março, além dos coretos “artisticamente armados, illuminados a electricidade”.

As bandas de Cachoeiro e de São João do Muqui participaram das comemorações na praça. Um relato histórico descreve o encontro dos grupos e a troca das partituras entre os maestros e os músicos.

Na ocasião, as bandas executaram a protofonia da ópera O Guarani, de Carlos Gomes. A apresentação integrou a festa que acompanhou a chegada da iluminação elétrica às ruas da cidade.

O pioneirismo de Cachoeiro de Itapemirim no Espírito Santo

Registros da imprensa da época incluíram Cachoeiro entre as localidades brasileiras que já dispunham de instalações de iluminação elétrica. A relação citada também mencionava Belém, Curitiba, Rio Claro, Ribeirão Preto e Santa Rita.

A lista situa a experiência de Cachoeiro ao lado de cidades de diferentes regiões do país, conforme a cobertura jornalística daquele período. O registro aponta a presença do município capixaba entre os lugares que haviam implantado esse tipo de sistema.

A história da usina na Ilha da Luz permite acompanhar a transformação tecnológica associada ao desenvolvimento urbano de Cachoeiro no início do século XX. Os registros sobre a instalação e a festa pública documentam a participação do município nesse processo no Espírito Santo.



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